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De porta em porta até ao último euro necessário

Data de publicação 26/03/2014

Ficar parado não é alternativa. Se não há dinheiro recorre-se a amigos, à família, a amigos de amigos. O "crowdfunding" tem sido o balão de oxigénio para alimentar muitos projectos que não sairiam do papel tão cedo

Quando os bancos não abrem as portas e os "business angels" ou as capitais de risco não arriscam, o melhor é recorrer aos "nossos". O financiamento colaborativo - ou "crowdfunding" - tem sido a alternativa para muitas das iniciativas que, de outra forma, teriam muita dificuldade em sair do papel. Primeiro investem os amigos e a família, depois quem acredita, com "sorte" e muito trabalho chega-se aos 100% e, quem sabe, até se supera o objectivo.


Os empreendedores portugueses estão a dar os primeiros passos no recurso ao "crowdfunding" para viabilizarem as suas ideias. Pequenos projectos, valores ainda modestos quando comparados com outros mercados, mas já muitas start-ups, ou simplesmente empreendedores, estão a entrar no mundo dos negócios graças a este tipo de financiamento. Se em Portugal um projecto em "crowdfunding" não vai além dos 5.000 euros de financiamento, nos EUA já há inúmeros casos de milhões de dólares garantidos através de plataformas como o Kickstarter. Será uma questão de tempo até Portugal ser contagiado?


Andy McLoughlin, co-fundador da Huddle, uma plataforma tecnológica que ajuda as empresas a gerir os seus negócios, defende que o "crowdfunding" pode ser o caminho para pequenos projectos. O britânico, que hoje também é investidor, defende que "nem todos os negócios encaixam nas capitais de risco, uma vez que muitas procuram negócios que cresçam rapidamente e que facturem milhares de milhões de euros".


Para já, nas plataformas nacionais de "crowdfunding" como o PPL e o Massivemov, os principais projectos financiados estão ligados às artes ou à cultura. A publicação de um livro ou o lançamento de um álbum têm captado o interesse e os euros dos portugueses. Também projectos de carácter social estão na lista das iniciativas mais apoiadas. Mas algumas start-ups já estão a olhar para o "crowdfunding" de outra forma, para internacionalizar o negócio ou para lançar um produto.


E parece que a moda do "crowdfunding" veio para ficar, pois são cada vez mais as plataformas deste tipo dedicadas às mais diversas áreas. A Zarpante surgiu para apoiar projectos culturais lusófonos e já conta com os primeiros euros angariados fora do País. A plataforma "Nós Queremos!" foi desenvolvida para possibilitar o financiamento colectivo necessário para a realização dos mais diversos tipos de eventos, focando-se neste momento na área dos eventos musicais.


A demonstrar que o "crowdfunding" se está a afirmar como uma alternativa ao financiamento tradicional é o facto de algumas instituições financeiras também estarem a participar nesta forma de apoio . O BES Crowdfunding, lançado há um ano, já financiou 27 projectos, num total de 74.600 euros angariados através de 2.700 doações.


Este tipo de financiamento é também uma primeira porta aberta para a internacionalização dos projectos. "Plataformas como o Kickstarter e o Indigogo têm-se mostrado muito interessantes para angariar dinheiro mesmo a partir dos EUA", refere o mesmo Andy McLoughling. No entanto, é normal que, pelo caminho, os empreendedores encontrem algumas dificuldades. O co-fundador do Huddle considera que "o principal obstáculo é que as pessoas, antes de investirem, querem ver um primeiro investidor a dar o primeiro passo. E normalmente é um efeito dominó. O maior desafio é convencer o primeiro investidor a dar o primeiro passo".


Se já são muitos os projectos que são apoiados através de "crowdfunding", em Portugal, ainda são muitos mais os que não chegam ao fim do caminho. Uns por dificuldade de conceber uma boa ideia, outros pela dificuldade de a apresentar ao mundo. O processo de convencimento dos potenciais investidores, principalmente dos primeiros, é duro e nem sempre tem um final feliz .


Sheel Tyle, da NEA- New Enterprise Associates, que investe em start-ups, deixa o conselho: "Nós somos todos iguais, não sabemos muito bem o que vai acontecer, mas arriscamos. Se falharem, falhem rápido, sejam ágeis e voltem a tentar. Cada um destes tipos [em que investimos] está na segunda empresa".


O co-fundador da tecnológica Huddle esteve em Portugal não só para dar o seu testemunho sobre start-up de sucesso, mas para analisar novos investimentos. Andy admitiu ao Negócios que está interessado em analisar uma start-up portuguesa. Mas, ao contactar jovens empreendedores, McLoughlin diagnosticou que os portugueses enfrentam um grande desafio: "eles têm que acreditar que conseguem fazer todo o caminho".

Fonte: Jornaldenegocios.pt

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